Guerra pelo petróleo: analisando as primeiras perdas

Quem pagará pela “vitória” de Trump
XTI/USD
Zona-chave: 91.00 - 95.00
Compra: 96.50 (após reteste de 95,00); alvo 101.00-103.50; StopLoss 95.50
Venda: 90.00 (com um forte contexto negativo); alvo 86.50-85.50; StopLoss 91.00
Trump promove ativamente o bloqueio do Estreito de Ormuz como uma “oportunidade única” para os exportadores americanos de petróleo e gás. A tentativa de retirar de Teerã o controle sobre uma rota-chave levou à perda de mais de 2 milhões de barris por dia de petróleo que o Irã enviava diariamente, principalmente para a China.
Lembramos:
De acordo com o relatório mensal da OPEP, a produção de petróleo dos países da Aliança caiu em março em um recorde de 7,88 milhões de barris por dia — a maior queda já registrada desde o início dessas estatísticas, na década de 1980.
A catástrofe afetou Iraque, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Catar. A OPEP reduziu a estimativa da demanda global por petróleo no 2º trimestre em 500 mil barris por dia, enquanto a previsão anual permaneceu inalterada.
Quanto maior o déficit de oferta nos mercados globais, maiores os preços — desde combustíveis básicos até matérias-primas industriais.
Mais de 20% do fornecimento global de petróleo e GNL já está indisponível para os consumidores, forçando Japão, Coreia do Sul e outros países asiáticos a buscar alternativas para reabastecer estoques.
E a opção mais transparente é o petróleo e o GNL dos Estados Unidos.
Segundo analistas da Kpler, em abril-maio cerca de 70 superpetroleiros da classe VLCC (Very Large Crude Carrier), cada um capaz de transportar cerca de 2 milhões de barris de petróleo, devem chegar aos portos da costa do Golfo do México. Até o final de abril, as exportações podem atingir 5–7 milhões de barris por dia.
No entanto, os EUA continuam importando petróleo (cerca de 6,2 milhões de barris por dia), principalmente do Canadá e do México, para processamento em refinarias projetadas para tipos mais pesados. De acordo com a EIA, no ano passado as importações mantiveram níveis semelhantes.
No entanto, a capacidade de aumentar significativamente a produção doméstica (como Trump promete) levanta fortes dúvidas.
- Os EUA produzem cerca de 13 milhões de barris por dia, mas a maior parte desse volume já está “vendida” em contratos de longo prazo.
- Quatro terminais-chave de exportação no Texas e na Louisiana podem aumentar ligeiramente o carregamento de petroleiros, mas sua capacidade de reserva é limitada.
- A Enbridge está expandindo a capacidade do terminal de Ingleside, no sul do Texas, em mais 2,5 milhões de barris.
- O porto de Corpus Christi concluiu no ano passado uma modernização de US$ 625 milhões, mas ainda não houve aumento significativo de capacidade.
- O projeto Golden Pass, desenvolvido pela Exxon Mobil em conjunto com a QatarEnergy, poderá produzir cerca de 18 milhões de toneladas de GNL por ano.
- A Cheniere Energy está considerando adiar parte da manutenção para aumentar os volumes de fornecimento.
No entanto, vários grandes projetos — Phillips 66, Enterprise Products Partners — enfrentaram restrições regulatórias e de mercado, já que ninguém esperava uma postura tão agressiva de Trump.
Como resultado, os preços dos combustíveis e dos derivados básicos de petróleo dentro dos EUA continuam a subir. O preço médio do galão de gasolina Regular na segunda-feira foi de US$ 4,13 — 3 centavos abaixo da semana anterior, mas US$ 1,15 acima do nível no início da guerra.
O anúncio do bloqueio voltou a pressionar os preços para cima: o petróleo americano subiu 2,6%, para US$ 99,08 por barril.
O aumento das exportações ainda não é acompanhado por crescimento da produção. Além disso, as empresas de shale dos EUA não estão apressadas em aumentar a perfuração, duvidando da sustentabilidade dos preços atuais. Isso significa que os estoques de petróleo e derivados vão diminuir, aumentando a pressão sobre os preços no atacado e no varejo.
O mercado tenta entender em que nível de preços surgirá o efeito de “destruição da demanda”. Um período prolongado de energia cara pode levar a uma recessão, que por si só reduzirá o consumo. Segundo a AIE, a demanda por gasolina nos EUA já caiu cerca de 100 mil barris por dia (-1,4%) na última semana.
Isso é, por enquanto, benéfico para os exportadores americanos e para os traders de petróleo, mas desfavorável para os consumidores e perigoso para Trump diante de mais uma “batalha” política.
Infelizmente, a ideia de “vitória” terá que ser revista — as leis do mercado não obedecem aos presidentes.
Portanto, agimos com prudência e evitamos riscos desnecessários.
Bons lucros a todos!
