Petróleo em pânico: a política pressiona a tendência

O preço do petróleo rompe o cenário-base

XBR/USD

Zona-chave: 67.50 - 69.50

Compra: 70.00 (em recuo após reteste do nível 68,50) ; alvo 71.50-73.50; StopLoss 69.30

Venda: 67.00 (em forte base negativa); alvo 65.00-63.50; StopLoss 67.70

Em períodos de crise — financeira ou política — o sentimento do mercado sempre se mostra mais forte do que os fatores fundamentais. Nos últimos dois anos, a oferta de petróleo tem superado de forma consistente a demanda.

Segundo a AIE, os estoques globais cresceram em um recorde de 477 milhões de barris em 2025 devido ao aumento da produção nos EUA, no Brasil, em outros países e também na OPEP+. Isso equivale a 1,3 milhão de barris por dia. Atualmente, os estoques de petróleo bruto nas principais regiões do mundo estão diminuindo, mas ainda permanecem acima dos níveis do ano passado e da média dos últimos cinco anos.

Em busca de equilíbrio, o mercado havia escolhido um cenário baixista de médio prazo, mas a política interferiu.

Hoje, os prêmios de risco geopolítico para os principais benchmarks de petróleo são estimados entre US$ 5 e US$ 10 por barril. Ao mesmo tempo, a geopolítica continua sendo o principal motor da formação de preços no mercado de commodities.

Se Trump conseguir fechar um acordo de paz com a Rússia e um acordo nuclear com o Irã, a queda dos preços abaixo de US$ 60 é praticamente garantida. Mas, enquanto isso não acontecer, o risco de interrupções no fornecimento devido a sanções contra a Rússia ou ações militares dos EUA contra o Irã continuará sustentando os preços.

Vale lembrar:

Ontem, o Irã iniciou exercícios militares no Estreito de Ormuz, enquanto um segundo porta-aviões americano se dirige ao Golfo Pérsico, o que indica um alto risco de colapso de qualquer negociação. A chance de um acordo diplomático ainda existe, mas parece mínima.

A Bloomberg inclusive considera um cenário em que o Brent dispara para US$ 108 por barril caso o Irã bloqueie o Estreito de Ormuz. O endurecimento das sanções contra a Rússia força os compradores de seu petróleo a buscarem alternativas. O aumento da demanda por outros tipos de petróleo também impulsiona os preços.

Alguns fatores a destacar:

  • Em fevereiro, a China planeja comprar um volume recorde de petróleo russo — resultado do redirecionamento de fluxos com desconto vindos da Índia, que reduziu fortemente suas compras após um acordo com os EUA.
  • As refinarias independentes chinesas são as maiores consumidoras mundiais de petróleo da Rússia, Irã e Venezuela — e os fornecimentos dessas regiões estão ficando mais complexos. Atualmente, o blend russo ESPO para entrega em março é negociado com desconto de US$ 8–9 em relação ao Brent, enquanto um blend iraniano similar tem desconto de US$ 10–11.
  • As vendas de petróleo saudita para a China cresceram em março depois que o Reino reduziu os preços do seu principal tipo, o Arab Light, ao menor nível dos últimos cinco anos devido a preocupações com excesso de oferta global. A Saudi Aramco fornecerá de 56 a 57 milhões de barris, 8 milhões a mais do que em fevereiro. Refinarias da Índia, Coreia do Sul e Japão também receberão mais petróleo por contratos de longo prazo.
  • O petróleo saudita praticamente eliminou seus concorrentes no mercado spot asiático.
  • As exportações de petróleo do Iraque também podem aumentar no próximo mês. O Iraque usa um modelo diferente do da Arábia Saudita: o petróleo saudita é vendido apenas via contratos de longo prazo, enquanto o Iraque e outros países vendem parte das exportações no mercado spot.
  • As vendas de petróleo venezuelano agora são controladas pelos EUA e realizadas por meio das grandes tradings internacionais Vitol e Trafigura, o que reduziu os descontos em relação ao Brent. No entanto, grandes remessas já contratadas para a China ainda precisam ser cumpridas — Trump não precisa de grandes conflitos internacionais.
  • A OPEP+ está pronta para aproveitar o cenário favorável e começar a aumentar a produção a partir de abril, após a pausa no primeiro trimestre. A Kpler espera que o restante dos cortes voluntários de 1,66 milhão de bpd seja eliminado em seis meses.

O cenário político mais realista indica que os acordos com o Irã e sobre Rússia–Ucrânia não devem ser fechados antes de junho deste ano. Portanto, é razoável se acostumar com o Brent na faixa de US$ 60–62 e o WTI um pouco acima de US$ 63, além de uma redução nas margens de diesel e gasolina de US$ 5–7.

Portanto, agimos com prudência e evitamos riscos desnecessários.

Bons lucros a todos!