Por que o euro está subindo em meio à guerra

Um novo paradoxo no mercado cambial

EUR/JPY

Zona-chave: 184.00 - 185.00

Compra: 185.50 (após o reteste do nível 184,50); alvo 187.50; StopLoss 185.00

Venda: 183.50 (num contexto fundamental fortemente negativo) ; alvo 181.50-180.00; StopLoss 184.00

No auge do conflito no Oriente Médio, o euro está se fortalecendo inesperadamente. Isso contradiz a lógica clássica: normalmente, petróleo caro e pânico geopolítico impulsionam o dólar para cima e o euro para baixo. O segredo está na mudança das expectativas em relação às taxas do Fed e na redução temporária do prêmio geopolítico.

Os mercados começaram a precificar o risco de que o Fed possa mudar sua política mais cedo do que promete, enquanto a “trégua” de Trump ainda não levará ao fim do conflito no Oriente Médio.

  • O mercado de derivativos (futuros da taxa Fed Funds) agora precifica mais de 40% de probabilidade de corte de juros até setembro. O motivo são os temores de estagflação. Se o Fed iniciar o afrouxamento, o dólar perderá sua principal vantagem de rendimento, enquanto o euro ganhará um novo impulso de alta não sustentado por fundamentos.
  • Após o anúncio de Trump sobre uma trégua de duas semanas com o Irã, o prêmio geopolítico caiu acentuadamente. O petróleo despencou, o apetite por risco aumentou e começou uma reestruturação ativa de posições no mercado cambial.
  • O ultimato de Trump ao Irã e a trégua de duas semanas devem interromper os ataques militares e reabrir o trânsito pelo Estreito de Ormuz. Os mercados interpretaram isso como uma pausa, levando à realização de lucros no dólar e no petróleo. Para o euro, isso é um fator positivo temporário: a Europa continua dependente de importações, e a ausência de novos ataques permite recompor estoques de matérias-primas. No entanto, o risco de escalada permanece.

O apetite por risco está aumentando, e, como resultado, o dólar — ativo de refúgio — perde interesse do grande capital. O índice do dólar cai para a base da faixa dos 98 pontos, embora ontem ainda estivesse testando o nível de 100.

Lembremos:

Desde o final de fevereiro, o dólar vinha se fortalecendo continuamente. Isso foi impulsionado não apenas pelo pânico clássico dos investidores, mas também pelo pragmatismo macroeconômico: os mercados acreditavam que a economia dos EUA, sendo exportadora líquida de petróleo, está muito mais protegida contra um choque energético global do que a Europa e a Ásia, dependentes de importações.

Assim que a ameaça de colapso no mercado de petróleo recuou, os investidores começaram a realizar lucros agressivamente nas posições em dólar.

Mas por quanto tempo esse “festival de otimismo” continuará?

Em apenas uma sessão de negociação, o dólar perdeu mais da metade de todo o ganho acumulado desde o início das hostilidades em 28 de fevereiro. As perdas mais dolorosas da moeda americana ocorreram frente a ativos de alto risco: o rand sul-africano e a coroa sueca se fortaleceram cerca de 2% em relação ao dólar.

Agora, traders de varejo veem o euro subir e correm para comprar sem esperar sinais mais confiáveis. A condição de sobrevenda acumulada por vários dias ainda não foi totalmente absorvida pelo mercado. Observe os cross rates — nem mesmo uma correção é visível, e o sinal de reversão no EUR/USD permanece instável.

E qual é o resultado?

As partes do conflito no Golfo Pérsico conseguiram se afastar do “precipício” após atingir um ponto crítico. Ao mesmo tempo, representantes oficiais de todos os lados já declararam vitória na guerra, mas afirmaram que negociações formais devem começar em 11 de abril em Islamabad.

Na situação com o Irã, nada ainda foi resolvido; a euforia passará rapidamente, e o risco de retomada da guerra permanece bastante real. Isso significa que a atual valorização do euro é plenamente justificada.

Portanto, agimos com prudência e evitamos riscos desnecessários.

Bons lucros a todos!