O petróleo prefere não correr riscos por agora

A situação no Médio Oriente não estimula compras

XBR/USD

Zona-chave: 100.00 - 103.00

Compra: 104.00 (após rompimento decisivo de 103.50); alvo 106.50-107.00; StopLoss 103.30

Venda: 98.50 (com fundamentos fortemente negativos); alvo 96.50-95.00; StopLoss 99.20

O Estreito de Ormuz permanece em grande parte paralisado. O Brent continuou a subir, ganhando 3% e ultrapassando o nível de $111 — um máximo de fecho mensal. No entanto, existem algumas nuances.

O dólar americano fortaleceu-se no contexto da subida dos preços do petróleo e das dúvidas de que a Reserva Federal irá apertar a política monetária. O Brent e o WTI prolongaram o rally após os EUA rejeitarem a proposta do Irão para desbloquear o Estreito de Ormuz.

Segundo a Casa Branca, Teerão ainda manteria o controlo sobre a principal artéria petrolífera, o que é inaceitável para Trump. O potencial de subida do Brent é estimado até $130 por barril no segundo trimestre, caso os fluxos permaneçam interrompidos até ao final de junho.

Os preços dos principais benchmarks estão a recuar ligeiramente após relatos de que os EAU irão sair da OPEP a partir de 1 de maio e deixarão de cumprir quotas de produção. Tal decisão de um participante importante — que, apesar de divergências internas, apoiava a política do cartel — pode enfraquecer significativamente a influência da OPEP no mercado de commodities.

Nos EUA, esta decisão dos EAU é considerada uma “grande vitória” para Trump, que anteriormente acusou a OPEP de especulação ao inflacionar artificialmente os preços do petróleo.

P.S. Por enquanto, esta é a única “vitória” dos EUA no atual conflito no Médio Oriente.

Até agora, a reação do mercado é moderada, uma vez que os EAU já estavam insatisfeitos com as restrições excessivas da OPEP e agora não podem aumentar as exportações enquanto o Estreito de Ormuz permanecer bloqueado. Potencialmente, este é um fator bearish para o petróleo — mas apenas no longo prazo.

  • O Irão, outrora o segundo maior produtor da OPEP, já reduziu a produção em 2.5 milhões de barris por dia. O país está a esgotar rapidamente a sua capacidade de armazenamento: atualmente, as reservas disponíveis durarão apenas 12–22 dias, segundo analistas da Kpler. Isto ameaça novos cortes ainda maiores — até mais 1.5 milhões de barris por dia já em meados de maio.
  • Lembrete: o petróleo iraniano demora cerca de dois meses a chegar a alguns portos chineses — o seu principal destino. Os compradores têm depois mais dois meses para concluir os pagamentos. Assim, o bloqueio naval dos EUA não afetará imediatamente as receitas do Irão — o impacto será atrasado em 3–4 meses.
  • Curiosamente, no curto prazo, os favoritos dos especuladores têm sido as moedas de países exportadores de petróleo. Analistas do JP Morgan e do Deutsche Bank recomendam comprar NOK e AUD contra o iene japonês e o franco suíço, bem como moedas do Cazaquistão, Brasil e Nigéria contra uma cesta composta pelo dólar americano e euro. No entanto, tais operações “exóticas” apresentam volatilidade extremamente instável.

Como resultado, esta combinação de bancos centrais passivos e subida do petróleo pode favorecer o dólar americano. A pressão sobre ele como ativo de refúgio vem dos máximos históricos dos índices acionistas. No entanto, ao abrir novas posições long em petróleo, é necessária extrema cautela — as decisões políticas desafiam a lógica analítica.

Assim, agimos com prudência e evitamos riscos desnecessários.

Lucros para todos!