A Europa escolhe a direção

O que esperar das decisões do BCE e do Banco de Inglaterra

EUR/GBP

Zona-chave: 0.8600 - 0.8650

Compra: 0.8670 (com fundamentos positivos sólidos) ; alvo 0.8850; StopLoss 0.8610

Venda: 0.8600 (em recuo após reteste do nível 0,8650) ; alvo 0.8450; StopLoss 0.8660

A atividade antes das próximas reuniões dos bancos centrais europeus é fraca — tanto o euro como a libra simplesmente repetem a trajetória do DXY. Os especuladores esperam que a situação possa mudar já amanhã.

O principal motor da dinâmica continua a ser a libra esterlina.

Dados do mercado de trabalho:

  • A taxa de desemprego no Reino Unido manteve-se em 5,1% — o nível mais elevado desde o início de 2021.
  • O número de empregados diminuiu em 43 mil (a maior queda desde o final de 2020), enquanto os pedidos de subsídio de desemprego aumentaram em 17,9 mil após uma forte queda no mês anterior.
  • O principal indicador salarial está a desacelerar — tanto o total (para 4,7%) como o excluindo bónus (para 4,5%).

O relatório é bastante fraco: o mercado de trabalho claramente não apoia uma subida de taxas.

Tanto o mercado como os analistas estão convencidos de que o Banco de Inglaterra manterá todos os parâmetros da política monetária inalterados, incluindo a taxa de juro, que atualmente se encontra em 3,75%. O principal argumento é que a inflação continua acima do objetivo e é necessário confirmar que a pressão salarial no setor dos serviços está realmente a diminuir. Em particular, o CPI geral mensal saiu da zona negativa (-0,2%) e subiu para 0,4%.

A atenção dos traders estará centrada nos detalhes da reunião, nomeadamente nos resultados da votação sobre a taxa. Recorde-se que, na reunião de dezembro, o destino da taxa foi decidido por apenas um voto.

A previsão de votação é “0-2-7”, ou seja, dois membros do Comité apoiarão um corte de taxas e sete votarão pela manutenção.

Este é o cenário base e mais esperado, totalmente refletido nos preços.

Se o número “médio” cair para um, a libra será apoiada. Mas se mais de dois membros votarem a favor de um corte, a moeda britânica voltará a ficar sob pressão.

A situação permite ao Banco de Inglaterra manter uma postura de espera e concentrar-se nos riscos inflacionistas.

Quanto ao EUR:

O mercado está convencido de que a taxa de 2,15% permanecerá inalterada. Os indicadores da zona euro ainda não estão a deteriorar-se, mas, segundo Lagarde, a economia está “desconfortável”. O contexto recente:

  • A inflação da zona euro em janeiro ronda 1,7% em termos anuais, abaixo da meta de 2% (núcleo ~2,2%, serviços ~3,2%) — as expectativas eram mais otimistas.
  • O crescimento da zona euro no 4T de 2025 foi cerca de 0,3% t/t (melhor do que o esperado) — argumento para manter as taxas.

Se o euro continuar a fortalecer-se de forma significativa e começar a puxar a inflação para baixo, isso poderá ser um gatilho para uma política mais acomodatícia. Um crescimento do PIB de +0,3% t/t no 4T de 2025 (estimativa flash) é razoável, mas com inflação abaixo de 2%, o BCE ganha margem para suavizar a retórica.

O que acompanhar amanhã nas notícias:

  • BCE: se deixarem de sublinhar a desaceleração da inflação e passarem a focar-se nos problemas do setor dos serviços, isso apoia o EUR.
  • Banco de Inglaterra: comentários sobre o equilíbrio “inflação/emprego” — se surgirem receios quanto ao mercado de trabalho, teremos apoio de curto prazo para a GBP.

Cenário base (mais provável): ambos os bancos centrais mantêm as taxas, e a tendência do EUR/GBP é moderadamente descendente.

Portanto, agimos com prudência e evitamos riscos desnecessários.

Bons lucros a todos!