Crise sob controlo: sem necessidade de alterar taxas

A Fed, o BCE e o BOE não estão preparados para decisões sérias

EUR/GBP

Zona-chave: 0.8620 - 0.8680

Compra: 0.8700 (num rompimento decisivo de 0.8670); alvo 0.8820; StopLoss 0.8650

Venda: 0.8630 (com fundamentos fortemente negativos) ; alvo 0.8500; StopLoss 0.8680

Os mercados aguardam a declaração oficial da Reserva Federal, mas reagirão principalmente ao tom do discurso final de Powell como presidente da Fed.

O dólar americano entrou em consolidação antes das reuniões da Fed e do BCE, e num contexto de acalmia no Médio Oriente. Os bancos centrais pretendem adotar uma abordagem de espera, face à incerteza geopolítica.

A passividade da Fed deve-se à intenção de avaliar o impacto do conflito no Médio Oriente sobre a economia dos EUA. A recuperação pós-pandemia, as consequências da guerra na Ucrânia e as tarifas tiveram apenas efeitos temporários. No entanto, o índice PCE tem permanecido acima da meta de 2% por um período prolongado, o que pode minar a confiança no banco central.

Os investidores também estão preocupados com a decisão de Powell — se permanecerá no FOMC até 2028 ou se sairá após o fim do seu mandato como presidente. A saída de Powell permitiria a Trump reforçar a sua posição e antecipar cortes de taxas. Também facilitaria os esforços de Kevin Warsh para reestruturar a Fed.

Lembrete:

Em 2008 e 2011, o BCE aumentou as taxas em resposta direta à aceleração da inflação, apenas para as reduzir drasticamente poucos meses depois para salvar a economia da UE. Em 2022, o regulador atrasou demasiado o aperto, permitindo que a inflação atingisse níveis de dois dígitos. Hoje, o desejo de evitar esses erros leva o BCE a manter uma retórica agressiva sem apressar decisões concretas.

Christine Lagarde deu sinais de um possível aumento de taxas em junho. Se esses sinais não forem suficientemente convincentes para os investidores, o EUR/USD pode cair.

A Europa enfrenta outro “problema” — um novo orçamento da UE de €1.8 triliões.

Os líderes da UE realizaram a primeira discussão substancial sobre outra questão controversa — o próximo orçamento de sete anos do bloco, que regerá os gastos de 2028 a 2034. O debate intensificou disputas sobre prioridades de despesa e quem deve suportar os custos. Anteriormente, a Alemanha suportava grande parte do peso, mas agora não está disposta a fazê-lo.

O principal obstáculo continua a ser a distribuição da responsabilidade financeira.

  • Os países mais ricos da UE, que contribuem mais do que recebem, renovaram críticas ao tamanho do orçamento proposto e exigem maior justificação para os gastos.
  • As discussões em Chipre evidenciaram profundas divisões entre os Estados-membros quanto ao futuro financeiro do bloco.
  • A Comissão Europeia insiste na necessidade de investimentos significativos para enfrentar desafios como alterações climáticas, transformação digital e segurança.
  • Outra questão sensível é a proposta de financiamento através de taxas ao nível da UE para pagar obrigações emitidas durante a recuperação pós-COVID.

Assim, a disputa sobre as finanças da UE será intensa.

O par EUR/GBP encontrou forte suporte na zona de 0.8650–0.8655, indicando possível formação de um padrão “Double Bottom”.

O euro tenta fortalecer-se face à libra, mas permanece dentro do intervalo semanal. O reequilíbrio de volumes pendentes em zonas-chave aumenta a probabilidade de mudança de tendência, à medida que os investidores se preparam para decisões de política monetária do BCE e do Banco de Inglaterra.

Ambos os bancos centrais pretendem manter as taxas inalteradas, enquanto aguardam dados adicionais para avaliar melhor o impacto da guerra no Médio Oriente sobre o crescimento económico e a inflação.

O governador do Banco de Inglaterra, Andrew Bailey, afirmou anteriormente em abril que não há necessidade de alterar a política devido a um mercado de trabalho fraco e à falta de poder de fixação de preços por parte das empresas, o que pode dar algum suporte ao euro.

Assim, agimos com prudência e evitamos riscos desnecessários.

Lucros para todos!