China contra todos: arriscado, mas estável

Trump perde a guerra pelo capital
EUR/USD
Zona-chave: 1.1850 - 1.1950
Compra: 1.1950 (com fundamentos positivos sólidos) ; alvo 1.2050-1.2150; StopLoss 1.1900
Venda: 1.1800 (com quebra segura do nível 1,1850) ; alvo 1.1650; StopLoss 1.1870
No último trimestre, a China fez concessões significativas à UE e aos EUA, mas a trégua na guerra tarifária ainda não chegou.
Na semana passada, Xi Jinping voltou a anunciar uma reestruturação da economia com foco na demanda interna, embora a inovação continue sendo o elemento central da estratégia de desenvolvimento do país.
A informação de que várias empresas chinesas foram incluídas na lista do Pentágono como entidades que supostamente ajudam o exército chinês causou estranheza: as principais empresas dessa lista são justamente as maiores compradoras de chips de IA da Nvidia, cujas entregas foram aprovadas por Trump.
A subsequente remoção “super rápida” dessa lista do acesso público levanta a pergunta: o que foi isso afinal? E por quê?
Apesar dos acordos bilaterais locais que Trump tenta promover como sua vitória de mercado, já há seis meses ocorre uma saída constante de capital (quase US$ 110 bilhões apenas em janeiro) dos ETFs domésticos focados na China, e a pressão vendedora continua aumentando.
O relatório de que o regulador chinês orientou os bancos a limitar investimentos em títulos do Tesouro dos EUA gerou nova pressão sobre o dólar, reacendendo temores sobre uma realocação estrutural de recursos para fora dos ativos americanos.
O apelo para se desfazer de ativos dos EUA está sendo gradualmente implementado. A diversificação dos ativos chineses — tanto privados quanto estatais — para fora dos ativos americanos só está se acelerando.
Por exemplo, a China Investment Corporation (CIC) iniciou a venda de ações, já que o regulador monetário pretende conter a especulação excessiva em ações ligadas à IA. Oficialmente, apenas esses ativos foram mencionados, mas na prática as vendas afetam também outros setores sensíveis para a economia dos EUA.
Lembrete:
- A China Investment Corporation é o maior fundo soberano da China, fundado em 2007 para gerir parte das reservas cambiais e diversificar investimentos.
- Esse grupo financeiro mantém fortes laços com o Estado e normalmente atua como força estabilizadora durante crises de mercado. Esse “cartel” informal controla ativos equivalentes a cerca de 6% da capitalização das ações classe A da China, o que demonstra sua capacidade de influenciar a liquidez e o sentimento do mercado.
- Historicamente, esse capital atua como comprador de ETFs e produtos indexados em momentos de forte volatilidade, incluindo o colapso do mercado asiático de 2015 e a recente turbulência causada pelas tarifas.
A informação sobre essa venda apareceu na mídia em um momento muito conveniente — logo após a divulgação da lista do Pentágono — considerando que o mercado chinês estava fechado devido ao Ano Novo Lunar.
Está claro que o pico das vendas já passou, mas a abordagem de Pequim para se proteger da agressão tarifária dos EUA continua deixando os investidores nervosos.
Por exemplo, a participação de títulos denominados em dólar nos portfólios externos dos bancos chineses já caiu significativamente em 2025.
Quanto às novas vendas estruturais do dólar americano, o foco principal deve ser a Europa, onde os ativos estão concentrados em ações com menores níveis de hedge. A valorização do euro frente ao dólar aumenta ainda mais as já elevadas tarifas dos EUA.
Por enquanto, os fluxos para os mercados acionários não indicam uma saída em massa do dólar. No entanto, se não surgirem desenvolvimentos positivos nas relações com a China em breve, tanto o mercado americano quanto o europeu podem enfrentar uma quebra das correlações tradicionais e o surgimento de novas bolhas especulativas em diferentes segmentos. A Europa já está nervosa, e a liquidez instável desta semana está provocando o desmonte de posições especulativas fora dos principais intervalos de negociação.
Portanto, agimos com prudência e evitamos riscos desnecessários.
Bons lucros a todos!