Como viver sem o dólar: modelando uma catástrofe

Os EUA podem realmente bloquear o acesso global ao dólar?
EUR/USD
Zona-chave: 1.1550 - 1.1650
Compra: 1.1650 (com fundamentos positivos sólidos) ; alvo 1.1800-1.1850; StopLoss 1.1580
Venda: 1.1550 (em recuo após reteste do nível 1,1600) ; alvo 1.1350; StopLoss 1.1620
A DWS, a maior gestora de ativos da Europa, alerta para riscos globais caso os EUA — ou melhor, o Federal Reserve — limitem o acesso à liquidez em dólares. Qualquer movimento nessa direção teria consequências sérias, especialmente para mercados emergentes, que dependem fortemente de financiamento dolarizado.
Em uma conferência organizada pelo BCE, Jerome Powell prometeu não alterar as regras de fornecimento de liquidez em dólares a instituições estrangeiras. No entanto, autoridades financeiras europeias há muito criticam a dependência excessiva dos mecanismos de apoio do Fed. A nova iniciativa propõe combinar dólares mantidos por bancos centrais fora dos EUA, reduzindo assim a dependência do sistema americano. A volta de Trump ao poder acelerou esse processo.
Proibir completamente o dólar é improvável, mas restringir seletivamente ou temporariamente fluxos de liquidez — via sanções, regulação ou controle de compensação (clearing) — é totalmente possível. Por exemplo:
Sanções e restrições a liquidações em USD
- bloqueio de bancos por listas da OFAC;
- proibição de operações via contas correspondentes em bancos dos EUA;
- limites ao clearing de pagamentos em USD (CHIPS, Fedwire).
Restrições ou encarecimento do financiamento em dólares
- acesso mais rígido a linhas de crédito em USD para bancos estrangeiros;
- alterações nas condições ou volumes das swap lines do Fed com o BCE, Banco da Inglaterra e Banco do Japão.
Armas regulatórias ou legais
- sanções secundárias para quem ajudar a driblar restrições;
- pressão sobre infraestruturas financeiras globais (câmaras de compensação, depositárias).
Mesmo a aplicação parcial desses pontos representa um risco sistémico significativo.
Hoje o dólar representa:
- 58% das reservas cambiais globais;
- 88% de todas as transações FX (USD aparece em praticamente metade dos pares de moedas do mundo).
Quase todo o crédito global, financiamento de comércio e mercados de derivativos depende do USD. Segundo o BIS, as obrigações em dólares escondidas em swaps e forwards cambiais são massivas e opacas — trilhões em dívida “invisível”.
Embora o euro, o iene e a libra sejam fundamentais, uma grande parte dos empréstimos, títulos e derivativos denominados nessas moedas ainda é protegida (hedge) através do USD.
Se você não está pronto para “fugir” para o ouro ou ações, precisa considerar operar por meio de pares cruzados sem dólar:
- EUR/JPY — principal cruzamento Europa–Ásia;
- EUR/GBP — equilíbrio entre os centros financeiros da UE e do Reino Unido;
- GBP/JPY — combinação de sentimento de risco (GBP) e porto seguro (JPY).
Em cenários de desdolarização, a liquidez e a relevância desses pares aumentam estruturalmente. Suas informações fundamentais são claras, e podem ser negociados com metodologias técnicas clássicas (mean reversion, breakout, volatilidade etc.).
Falaremos com mais profundidade sobre estratégias em um ambiente de liquidez restrita em dólares em um artigo separado. Por enquanto, o mercado ainda está saturado de dólares, e um trader varejista consegue operar sem dificuldades. Mas já está na hora de buscar proteção contra o dólar.
Portanto, agimos com prudência e evitamos riscos desnecessários.
Bons lucros a todos!
