O Irão perde o foco de atenção

O mercado aguarda mudanças
EUR/USD
Zona-chave: 1.1700 - 1.1800
Compra: 1.1750 (com fundamentos positivos fortes) ; alvo 1.1870-1.1920; StopLoss 1.1680
Venda: 1.1680 (num rompimento decisivo acima de 1.1750) ; alvo 1.1500; StopLoss 1.1750
Pela primeira vez em dois meses, o principal motor da semana pode não ser a situação política ou militar no Médio Oriente, mas fatores económicos fundamentais causados pelas consequências do conflito. Espera-se que a Reserva Federal, o BCE, bem como os reguladores monetários do Reino Unido, Canadá e Japão não arrisquem alterar as taxas de juro.
No contexto de uma inflação crescente, que, aliás, acabou por ser menos severa do que muitos economistas inicialmente previam, é esperado um deslocamento de capital de ativos mais arriscados para instrumentos tradicionais de “porto seguro”.
A 29 de abril expira o período de 60 dias durante o qual os Estados Unidos podem conduzir operações militares sem aprovação do Congresso. E, independentemente das alegadas “vitórias” de Trump, o risco de o Parlamento exigir o fim do envolvimento dos EUA no conflito do Médio Oriente é muito elevado. Ou, no mínimo, exigirá ao presidente uma justificação sólida e um plano claro.
- Historicamente, os presidentes dos EUA saem destas situações com relativa facilidade, uma vez que bloqueios militar-comerciais formais não estão sujeitos às mesmas restrições, sendo considerados um método de defesa e não de agressão.
- O principal argumento de Trump será económico: o bloqueio da principal artéria de transporte — o Estreito de Ormuz — dá aos EUA uma vantagem clara, enquanto os concorrentes sofrem: China, Europa, Japão. Trump utiliza este bloqueio para pressionar outros países a influenciar o Irão, enquanto aguarda propostas mais favoráveis.
- O problema é que Trump tem pouco tempo para continuar a guerra: precisa de estar numa posição mais forte antes do encontro com Xi Jinping nos dias 14–15 de maio. Além disso, o início da campanha eleitoral exige vitórias visíveis, e na guerra com o Irão, a vitória só pode ser declarada se os estoques de urânio enriquecido forem eliminados e o programa nuclear civil do país for limitado por décadas.
- Teerão propôs um plano de negociação em três fases com os EUA: a primeira foca-se apenas no fim da guerra na região, a segunda no Estreito de Ormuz, e apenas a terceira no urânio iraniano. Trump está insatisfeito, mas disposto a negociar por telefone.
- Ao mesmo tempo, Washington está a tomar certas medidas contra o Irão — desde a revogação de vistos para cidadãos iranianos até ao congelamento de $344 milhões em criptomoedas associadas a carteiras iranianas.
Na quinta-feira, o Comité Bancário do Senado deverá aprovar a nomeação de Kevin Warsh como presidente da Fed, tornando esta reunião a última de Powell. Neste contexto tenso, ocorreu também um evento importante em Washington — o Departamento de Justiça encerrou a investigação sobre o presidente da Fed.
- Isto remove parte da pressão política dentro do bloco financeiro, permitindo ao regulador concentrar-se no combate à inflação sem interferência de disputas legais.
- O senador republicano Tillis afirmou que Powell pode permanecer no Conselho de Governadores da Fed até que Trump apresente um recurso sobre o uso indevido de fundos para a construção de edifícios da Fed, mas Trump precisa dessa posição — e o recurso não é garantido.
- O mercado pode reagir às previsões de taxas dos membros da Fed, embora seja evidente que com a chegada de Warsh, o equilíbrio interno mudará, e o crescimento dos preços também depende da duração do bloqueio de Ormuz.
Entretanto, Wall Street, apesar da sombra da guerra, continua a celebrar a revolução tecnológica. As ações da Nvidia fecharam em máximos históricos, elevando a capitalização da empresa acima dos impressionantes $5 trilhões. O mercado acionista dos EUA demonstra uma resiliência notável, como se tentasse filtrar as notícias do Médio Oriente.
No entanto, aproxima-se um “desfile de gigantes”, e se os líderes tecnológicos confirmarem as suas posições, o mercado poderá ignorar a geopolítica por algum tempo, levando o Nasdaq e o S&P 500 a novos máximos.
Mas se os dados de Alphabet, Microsoft ou Meta dececionarem os investidores, o “prémio de guerra” e as altas taxas da Fed tornar-se-ão imediatamente o tema dominante, transformando o crescimento recente em euforia injustificada.
Assim, agimos com prudência e evitamos riscos desnecessários.
Lucros para todos!