How CFD brokers make money: analisamos o modelo de negócio sem mitos
Uma corretora de CFD moderna não é apenas uma plataforma de negociação. Por trás do seu funcionamento existe toda uma infraestrutura: provedores de liquidez, sistemas de execução de ordens, mecanismos de gestão de risco e tecnologias de formação de preços. A receita da corretora provém de várias fontes: spreads, comissões, swaps e algumas taxas adicionais.
Existem muitos mitos em torno das corretoras de CFD. Um dos mais comuns é que a corretora só ganha dinheiro quando o cliente perde.
Por isso, muitos traders iniciantes desconfiam dos CFD e acreditam que a corretora está sempre interessada em que os seus clientes percam. Mas, na verdade, o funcionamento é um pouco diferente.
Uma corretora de CFD moderna não é apenas uma plataforma de negociação. Por trás do seu funcionamento existe toda uma infraestrutura: provedores de liquidez, sistemas de execução de ordens, mecanismos de gestão de risco e tecnologias de formação de preços. A receita da corretora provém de várias fontes: spreads, comissões, swaps e algumas taxas adicionais.
Neste artigo, vamos analisar como funciona o modelo de negócio de uma corretora de CFD, quem participa na execução das operações e por que as percepções mais comuns sobre o funcionamento dessas empresas costumam ser excessivamente simplistas.
Para que serve um CFD broker?
O CFD trading broker atua como intermediário entre o trader e o mercado. Ele fornece acesso às cotações de mercado, executa as ordens e permite abrir operações com o uso de alavancagem. Para a maioria dos traders de varejo, é justamente por meio da corretora que a negociação de CFD se torna possível, já que, em geral, eles não podem realizar esse tipo de operação diretamente.
Como funciona uma operação com CFD
Para entender como a corretora ganha dinheiro, vamos primeiro analisar o que acontece depois que o trader clica no botão Buy ou Sell.
Normalmente, o processo ocorre da seguinte forma:
- O trader envia uma ordem através da plataforma de negociação.
- A corretora recebe a ordem e verifica os seus parâmetros.
- Dependendo do modelo de execução, a operação é encaminhada a um provedor de liquidez ou permanece dentro da corretora.
- Em seguida, a ordem é executada e o trader recebe a confirmação.
Nesta etapa, é comum encontrar termos como execução de ordens (execution), execução de mercado (market execution), deslizamento (slippage) e liquidez (liquidity). Vamos analisar o que cada um deles significa.
Execução de ordens (execution) é a forma como a corretora processa a ordem do trader e abre ou fecha uma operação.
Se a corretora utiliza a execução de mercado (market execution), a operação é aberta ou fechada ao melhor preço disponível no momento do processamento da ordem. Como o mercado muda constantemente, o preço final pode diferir ligeiramente daquele que o trader viu ao enviar a ordem.
Essa diferença é chamada de deslizamento (slippage). Ele pode ser tanto negativo quanto positivo. Às vezes a operação é aberta a um preço menos favorável e, outras vezes, a um preço mais favorável.
O tamanho do deslizamento depende, em grande parte, da liquidez (liquidity). Quanto maior ela for, mais fácil é abrir ou fechar uma operação a um preço próximo daquele que o trader vê na plataforma.
De onde vem a liquidez e quem forma as cotações de mercado? Vamos analisar isso na próxima seção.
Quem são os provedores de liquidez
Provedores de liquidez (Liquidity Providers) são grandes participantes do mercado financeiro que oferecem cotações de compra e venda para diversos ativos. Entre eles estão:
- bancos internacionais;
- bancos de investimento;
- formadores de mercado (market makers);
- plataformas ECN;
- outras grandes instituições financeiras.
O seu papel pode ser representado no seguinte esquema:
São justamente os provedores de liquidez que formam as cotações de mercado que o trader vê na plataforma de negociação.
Quanto mais provedores de liquidez estiverem conectados à corretora, maior será a liquidez e mais fácil será abrir e fechar operações a um preço próximo do de mercado. Embora o trader não interaja diretamente com os provedores de liquidez, são eles que ajudam a garantir cotações estáveis e uma execução de ordens de qualidade.
Por isso, muitas corretoras encaminham as operações dos clientes aos provedores de liquidez. Essa abordagem é chamada de A-Book. No entanto, não é o único modelo de execução de ordens. Algumas empresas utilizam o B-Book ou combinam as duas abordagens. Falaremos sobre isso mais adiante.
Independentemente do modelo de execução, a maioria das corretoras de CFD obtém receita de várias fontes. Vamos analisar as principais.
Principais fontes de receita de uma corretora de CFD
Muitos traders iniciantes acreditam que o lucro da corretora depende exclusivamente das perdas dos clientes. Na realidade, as corretoras ganham dinheiro de várias formas. Vamos analisar as mais comuns.
Spread
O spread de uma corretora de CFD é uma das principais fontes de receita.
Todo instrumento de negociação tem dois preços:
- Bid: o preço pelo qual é possível vender o ativo;
- Ask: o preço pelo qual é possível comprá-lo.
A diferença entre eles é chamada de spread.
Por exemplo, para o par de moedas EUR/USD, as cotações podem ser assim:
Neste exemplo, o spread é de dois pips.
Quando o trader abre uma operação, ele paga imediatamente a diferença entre o preço de compra e o de venda. Para muitas corretoras, essa diferença se torna uma das principais fontes de receita.
O tamanho do spread depende, em grande parte, das cotações fornecidas pelos provedores de liquidez. Por isso, em períodos de alta volatilidade ou de redução da liquidez, ele pode aumentar temporariamente.
Independentemente de a operação ser fechada com lucro ou com prejuízo, a corretora já recebe a receita do spread no momento em que ela é aberta.
Comissões
Algumas corretoras, além do spread, cobram uma comissão de negociação. Geralmente, são utilizados três modelos:
Nas contas com spreads mínimos, a comissão costuma ser cobrada separadamente, por exemplo, por cada lote negociado.
Essa opção costuma ser escolhida por traders ativos para quem é importante contar com os spreads de mercado mais estreitos possíveis.
Ao escolher uma conta, é importante avaliar não apenas o tamanho do spread ou da comissão isoladamente, mas também o custo total de negociação. Por exemplo, uma conta com spread mais alto às vezes sai mais barata do que uma conta com spread mínimo e comissão separada.
Swap
Outra fonte de receita da corretora é a overnight fee, ou swap.
Ele é cobrado quando o trader mantém uma posição aberta de um dia de negociação para o outro.
Ao negociar CFD com alavancagem, pode ser cobrada uma overnight fee por manter a posição aberta até o dia de negociação seguinte. O seu valor depende das taxas de juro, do tipo de instrumento e das condições de cada corretora.
Suponhamos que um trader abre uma posição comprada em EUR/USD e a mantém por cinco dias. A cada dia, a corretora cobra um swap de acordo com as condições de negociação desse instrumento.
O swap pode ser:
- negativo: neste caso, o trader paga uma comissão;
- positivo: nesse caso, a corretora credita um pequeno valor na conta do trader.
Se você planeja manter posições abertas por vários dias ou mais, vale a pena conhecer previamente as condições de cobrança dos swaps.
O que são A-Book e B-Book
São justamente esses modelos que geram mais controvérsia. No entanto, nenhum deles pode ser classificado como «bom» ou «ruim» - eles simplesmente processam as operações dos clientes de forma diferente.
A-Book
No A-Book model, a corretora encaminha as operações dos clientes aos provedores de liquidez.
Neste caso:
- as operações são encaminhadas aos provedores de liquidez;
- a corretora ganha principalmente com spreads e comissões;
- o lucro do cliente não se torna um prejuízo direto para a corretora.
Por isso, muitas corretoras reguladas utilizam o modelo A-Book para todas ou parte das operações dos clientes.
B-Book
No B-Book model, parte das operações dos clientes é executada internamente pela corretora. Isso significa que a corretora assume parte do risco de mercado, em vez de encaminhar imediatamente as operações aos provedores de liquidez.
Neste caso:
- parte das operações é executada internamente pela empresa;
- se o trader lucra, a corretora pode registrar um prejuízo;
- a corretora continua a obter receita de spreads, comissões e swaps.
Mas isso não significa que a corretora ganhe dinheiro apenas com as perdas dos clientes. Além disso, as corretoras gerenciam o risco não operação por operação, mas com base no volume total das posições dos clientes.
Por exemplo, uma corretora pode encaminhar apenas parte das operações aos provedores de liquidez e manter o restante do risco internamente. Essa abordagem permite gerenciar o risco de forma mais eficiente.
Modelo híbrido
Na prática, a maioria das grandes corretoras de CFD utiliza um modelo híbrido, combinando A-Book e B-Book.
O modelo que será utilizado para uma operação específica depende das normas internas de gestão de risco. Algumas operações são encaminhadas aos provedores de liquidez, enquanto outras são executadas internamente.
Isso pode depender de vários fatores, entre eles:
- a experiência do cliente;
- o volume das operações;
- o instrumento de negociação;
- a situação atual do mercado;
- o nível geral de risco.
Por isso, a afirmação de que uma corretora trabalha exclusivamente com A-Book ou exclusivamente com B-Book não corresponde à realidade.
Os mitos mais comuns
Mito 1. A corretora sempre opera contra o cliente
Isso nem sempre é verdade.
Muitas corretoras fazem hedge total ou parcial das posições dos clientes por meio de provedores de liquidez. Nesse caso, a principal receita da empresa vem de spreads e comissões, e não das perdas dos traders.
Mito 2. Todas as CFD brokers utilizam apenas B-Book
Trata-se de um equívoco comum.
Na prática, muitas empresas combinam os modelos A-Book e B-Book, distribuindo as operações de acordo com o seu sistema de gestão de risco.
Mito 3. Se a corretora ganha com o spread, só lhe interessam as perdas dos clientes
Não necessariamente.
Se a corretora ganha principalmente com spreads e comissões, é do seu interesse que o cliente continue negociando pelo maior tempo possível.
Um trader que abre operações regularmente ao longo de vários anos costuma gerar mais receita para a empresa do que aquele que perde rapidamente o depósito e deixa de utilizar os serviços da corretora.
O que observar ao escolher uma corretora de CFD
Não é recomendável basear-se apenas no tamanho dos spreads. É igualmente importante avaliar outros parâmetros:
- a existência de licença e regulação;
- a qualidade da execução de ordens, incluindo a velocidade de execução e o nível médio de deslizamento;
- o tamanho dos spreads e das comissões;
- as condições de cobrança dos swaps;
- o número de provedores de liquidez;
- a existência de proteção contra saldo negativo;
- a transparência das condições de negociação;
- a qualidade do serviço de suporte ao cliente.
Quanto mais fatores você considerar ao escolher uma corretora, maior será a probabilidade de encontrar uma empresa cujas condições correspondam ao seu estilo de negociação.
Conclusão
Uma corretora de CFD moderna não é apenas um intermediário entre o trader e o mercado. Por trás do seu funcionamento existe toda uma infraestrutura: provedores de liquidez, tecnologias de execução de ordens, sistemas de gestão de risco e mecanismos de formação de preços.
As corretoras não ganham dinheiro apenas com as perdas dos clientes. As principais fontes de receita são spreads, comissões e swaps, e muitas empresas utilizam um modelo híbrido, combinando elementos de A-Book e B-Book.
Compreender como funciona o CFD broker business model ajuda a se orientar melhor no mercado e a escolher uma empresa de negociação com mais consciência. Em vez de confiar em mitos comuns, vale a pena avaliar a regulação, as condições de negociação, a qualidade da execução de ordens e a reputação da corretora.
Perguntas frequentes
What is a CFD broker?
Uma corretora de CFD é uma empresa que oferece acesso à negociação de contratos por diferença (CFD). Por meio da sua plataforma, os traders podem abrir operações sobre a variação de preço de ações, moedas, índices, commodities e outros ativos, sem a necessidade de comprá-los fisicamente.
Como as corretoras de CFD ganham dinheiro?
As principais fontes de receita são spreads, comissões e swaps pela manutenção da posição até o dia de negociação seguinte. Muitas empresas também utilizam diferentes modelos de gestão de risco, por isso o lucro da corretora nem sempre depende das perdas dos clientes.
A corretora pode lucrar mesmo quando o trader tem lucro?
Sim. Se a corretora obtém receita a partir de spreads, comissões e swaps, o lucro de um cliente específico não representa prejuízo para a empresa. Além disso, muitas corretoras encaminham total ou parcialmente as operações aos provedores de liquidez, de modo que o resultado da negociação do cliente nem sempre afeta a receita da corretora.
Por que os spreads variam entre diferentes corretoras de CFD?
O tamanho do spread depende de vários fatores: a liquidez do instrumento específico, a volatilidade do mercado, o número de provedores de liquidez e a política de preços da própria corretora. Por isso, mesmo para o mesmo par de moedas, os spreads podem variar entre diferentes empresas.
Quais as diferenças entre os modelos A-Book e B-Book?
No modelo A-Book, as operações dos clientes são encaminhadas aos provedores de liquidez, e a corretora ganha principalmente com spreads e comissões. No B-Book, parte das operações dos clientes é executada internamente, de modo que o lucro do trader pode se tornar uma despesa para a empresa. Na prática, muitas grandes corretoras utilizam um modelo híbrido, combinando as duas abordagens.
Por que ocorre o deslizamento?
O deslizamento é a diferença entre o preço que o trader viu ao enviar a ordem e o preço pelo qual a operação foi efetivamente aberta ou fechada. Ele ocorre devido a mudanças no preço de mercado ou à liquidez insuficiente, podendo ser tanto negativo quanto positivo.
As corretoras de CFD cobram comissões adicionais?
Além de spreads, comissões e swaps, algumas corretoras podem cobrar taxas por inatividade da conta, saque de fundos, conversão de moeda ou uso de serviços específicos. O tipo e o valor dessas taxas dependem das condições de cada empresa, por isso vale a pena analisar atentamente as tarifas antes de abrir uma conta.
Como escolher uma corretora de CFD confiável?
Ao escolher uma corretora de CFD, preste atenção à existência de licença e regulação, à qualidade da execução de ordens, ao tamanho dos spreads e das comissões, às condições de cobrança dos swaps, à proteção contra saldo negativo, à transparência das condições de negociação e à reputação da empresa.
