El Salvador: 5 anos com o Bitcoin legalizado

Os resultados de uma experiência com criptomoedas

BTC/USD

Zona-chave: 60.000 - 63.500

Compra: 65.000 (com forte suporte fundamental); alvo 71.500-73.500; StopLoss 64.000

Venda: 60.000 (num recuo após novo teste dos 63.500); alvo 57.500-55.000; StopLoss 61.000

El Salvador tornou-se o primeiro país do mundo a reconhecer o Bitcoin como moeda de curso legal ao lado do dólar norte-americano. A decisão do presidente Nayib Bukele gerou um intenso debate: os apoiantes viram nela uma revolução do sistema financeiro global, enquanto os críticos consideraram-na uma experiência perigosa aplicada à economia de uma pequena nação em desenvolvimento.

Cinco anos depois, já é possível tirar conclusões preliminares e avaliar as consequências reais para a economia, o setor financeiro e o sistema jurídico do país.

Recordemos:

Em 8 de junho de 2021, El Salvador aprovou a primeira “Lei do Bitcoin” do mundo, reconhecendo o BTC como moeda de curso legal. Após 7 de setembro de 2021, quando a lei entrou em vigor, as autoridades começaram a construir uma infraestrutura dedicada ao BTC: lançaram a carteira estatal Chivo Wallet, instalaram caixas automáticas de Bitcoin e promoveram pagamentos através da Lightning Network.

A principal ideia do projeto era fornecer serviços financeiros à população sem conta bancária e reduzir os custos das remessas internacionais, que representam cerca de 25% do PIB de El Salvador. Para isso, o governo criou o sistema Chivo Wallet e implementou uma infraestrutura nacional de criptomoedas.

No entanto, os resultados reais revelaram-se muito mais modestos.

  • Segundo o Banco Central de Reserva do país, em abril de 2026 apenas cerca de 5,7 milhões de dólares em transferências foram processados através de carteiras de criptomoedas, comparativamente a mais de 851 milhões de dólares em remessas recebidas do exterior. Como resultado, as transferências em criptomoedas representam menos de 1% do mercado de remessas.
  • As expectativas de adoção generalizada do BTC como meio de pagamento não se concretizaram. Apesar dos incentivos iniciais, como bónus de registo na Chivo Wallet, a maioria da população continua a utilizar o dólar norte-americano.

    Apesar da utilização limitada da criptomoeda no dia a dia, o projeto trouxe alguns benefícios ao país.
  • El Salvador tornou-se um centro global de turismo ligado às criptomoedas e atraiu a atenção da comunidade cripto internacional. Novos investimentos foram direcionados para projetos de infraestrutura, hotelaria e fintech.
  • A estratégia de acumulação de BTC revelou-se rentável durante a forte valorização do mercado. Em 2025–2026, o valor das reservas governamentais em Bitcoin ultrapassou significativamente o investimento inicial graças à subida do BTC acima dos 100.000 dólares por moeda.
  • Os ganhos não realizados da carteira do governo foram avaliados em centenas de milhões de dólares.

Pela primeira vez, um Estado transformou efetivamente parte das suas reservas num ativo especulativo de elevado risco.

Em janeiro de 2025, as autoridades salvadorenhas foram obrigadas a rever substancialmente a Lei do Bitcoin como parte de um acordo com o FMI relativo a uma linha de crédito de 1,4 mil milhões de dólares. A legislação foi alterada de modo que as empresas deixaram de ser obrigadas a aceitar Bitcoin. A criptomoeda também deixou de ser utilizada para pagamentos de impostos e liquidações com o governo.

O FMI também manifestou preocupações relativamente à transparência das compras de Bitcoin realizadas pelo governo para as reservas estatais.

Na prática, o país abandonou o elemento central do conceito original de moeda de curso legal. Enquanto em 2021 todos os agentes económicos eram obrigados a aceitar BTC, após a reforma a utilização da criptomoeda tornou-se totalmente voluntária.

A experiência demonstrou que um modelo baseado na integração obrigatória de criptomoedas no sistema monetário nacional não consegue garantir a adoção em massa de um ativo digital pela população e pelas empresas.

E qual é o resultado?

A experiência de El Salvador continua a ser extremamente relevante.

  • Foi criado um precedente internacional para a integração de criptomoedas num sistema financeiro estatal.
  • Os reguladores obtiveram material prático para avaliar os riscos dos ativos digitais.
  • O problema da elevada volatilidade continua a limitar significativamente a utilização das criptomoedas nos pagamentos quotidianos.

No entanto, como instrumento para atrair capital, aumentar a visibilidade internacional do país e criar reservas estatais alternativas, a experiência pode ser considerada parcialmente bem-sucedida.

Segundo dados de 2026, os endereços controlados pelo governo detêm 7.677 BTC, avaliados em aproximadamente 480 milhões de dólares. Em janeiro de 2025, a Tether anunciou que obteve uma licença de Prestador de Serviços de Ativos Digitais em El Salvador e que transferiria parte das suas operações para o país.

Após cinco anos, o Bitcoin não se tornou uma moeda de pleno direito, mas consolidou-se firmemente como uma nova classe global de ativos de reserva e investimento.

Por isso, agimos com prudência e evitamos riscos desnecessários.

Lucros para todos!