O dinheiro está cansado da geopolítica

O mercado prefere os níveis pré-guerra
GBP/JPY
Zona-chave: 215.00 - 216.00
Compra: 216.50 (com uma base fundamental sólida); alvo 218.50; StopLoss 216.00
Venda: 216.00 (após o reteste da zona dos 217) ; alvo 214.50-213.50; StopLoss 216.50
As moedas europeias estão recuperando com confiança as posições perdidas em março; o S&P 500 e a libra esterlina já estão sendo negociados acima dos níveis pré-conflito no Oriente Médio. O dólar americano já não consegue tirar proveito de sua vantagem como ativo de refúgio.
Quem mais se empenha no fim do conflito é Trump, interessado na alta dos índices acionários: ora afirma que recebeu ligações do Irã e que o país quer fechar um acordo. Ora diz que as pessoas certas em Teerã estão dispostas a voltar à mesa de negociações. O Paquistão está realizando esforços titânicos para resolver as divergências.
A China está pronta para oferecer ajuda na busca pela paz no Oriente Médio. O próprio Irã também afirma que compromissos com os EUA foram alcançados em diversos aspectos.
Os investidores capturam até mesmo notícias potencialmente positivas do Oriente Médio e ignoram as negativas.
- O mercado acionário americano retornou aos níveis pré-guerra com base nas expectativas de uma forte temporada de resultados do primeiro trimestre e avaliações fundamentais subestimadas. Os traders tentam ignorar tanto as altas taxas do Fed quanto os riscos de estagflação.
- Mesmo o petróleo não subiu tanto quanto poderia diante das notícias sobre o fracasso das negociações entre EUA e Irã: o Brent está sendo negociado apenas $30 por barril acima dos níveis pré-conflito.
- Segundo previsões de Wall Street, o lucro por ação das empresas do S&P 500 no primeiro trimestre crescerá 12,5%, marcando o sexto trimestre consecutivo de crescimento de dois dígitos. Ao mesmo tempo, o número de empresas com projeções otimistas deve atingir o maior nível desde 2021.
- Os rendimentos dos títulos do Tesouro estão 35–40 pontos-base mais altos, e os traders praticamente abandonaram as expectativas de cortes de juros pelo Fed em 2026. As condições são muito piores do que no final de fevereiro, mas isso não impede a alta do S&P 500.
- Apesar de as taxas do Fed estarem elevadas em termos históricos, a aceleração da inflação mantém os rendimentos reais dos Treasuries relativamente baixos, o que não permite afirmar que a política monetária seja excessivamente restritiva.
As moedas europeias demonstram força. A libra voltou aos níveis pré-guerra, enquanto o franco suíço e a coroa sueca estão muito próximos disso. A coroa norueguesa está até prestes a renovar máximas desde junho de 2022. No entanto, o aumento dos preços da energia desviou a projeção do BCE de seu cenário-base.
Ontem, a presidente do BCE, Christine Lagarde, afirmou que o aumento dos preços da energia trouxe ajustes significativos às projeções do BCE e que o cenário-base precisará ser revisado. Ainda assim, a situação atual não atingiu um ponto crítico que indique claramente a necessidade de aumento das taxas de juros. Essa declaração reflete a complexidade de avaliar os efeitos econômicos da crise geopolítica.
É evidente que o BCE está considerando medidas necessárias: a inflação na Europa já ultrapassou significativamente a meta de 2%.
Os participantes do mercado acreditam que o aumento das taxas na Europa é apenas uma questão de tempo. No entanto, os grandes players não esperam um aumento na próxima reunião de 29–30 de abril. Os traders precificam dois aumentos de 0,25% este ano, com cerca de 30% de probabilidade de um terceiro.
Os mercados acreditam mais na desescalada do que na quebra do cessar-fogo e novos bombardeios na região. Além disso, o bloqueio do Estreito de Ormuz pelos EUA já representa uma redução da intensidade do conflito em comparação com operações militares ativas.
Apesar da incerteza, as esperanças de paz no Oriente Médio estão crescendo, permitindo que os especuladores que haviam ampliado posições líquidas compradas em dólar aos máximos de 14 meses passem a reduzi-las. A saída do greenback ganha força, impulsionando compras de EUR e GBP, inclusive em cross-assets. Por exemplo, o iene permanece vulnerável, enquanto o par GBP/JPY caminha para máximas de 18 anos. O quadro técnico gradualmente se torna mais estável.
Portanto, agimos com prudência e evitamos riscos desnecessários.
Bons lucros a todos!
