Uma nova frente na guerra tecnológica

As sanções contra a IA chinesa podem perturbar o mercado global

NQ100

Zona-chave: 28.500 - 29.500

Compra: 29.700 (com fortes fundamentos positivos); objetivo 31.500-32.500; Stop Loss 29.000

Venda: 28.500 (num recuo após um novo teste dos 29.000); objetivo 27.000-26.500; Stop Loss 29.200

O conflito entre os Estados Unidos e a China está a entrar numa fase fundamentalmente nova. Trump está preparado para impor sanções aos desenvolvedores chineses de IA se uma investigação confirmar que foi utilizada propriedade intelectual norte-americana para criar modelos chineses.

Ao longo dos últimos anos, Washington restringiu o acesso de Pequim a semicondutores avançados, equipamentos de litografia e aceleradores da Nvidia. Agora, porém, a pressão está a deslocar-se diretamente para os próprios modelos de IA.

Recordemos:

A destilação é um método de treino de IA no qual é criado um modelo mais simples com base num outro já existente e mais complexo. No mês passado, a Anthropic enviou uma carta ao Senado dos Estados Unidos alegando que empresas chinesas tinham cometido o maior «roubo de propriedade intelectual» de sempre.

As alegações centraram-se na Moonshot AI, criadora do modelo Kimi K3, que, segundo a parte norte-americana, poderá ter utilizado tecnologia de destilação encoberta envolvendo os sistemas da Anthropic e da OpenAI. É mais dispendioso do que outros modelos chineses, mas continua a custar metade do preço do Claude Opus e do GPT-5.5.

Não se trata apenas de um conflito diplomático. Trata-se da formação de uma nova arquitetura para o mercado global da IA, onde as restrições poderão aplicar-se não só ao hardware, mas também aos próprios algoritmos.

Anteriormente, a política dos Estados Unidos centrava-se em limitar a capacidade computacional da China. As proibições de exportação de aceleradores da Nvidia, as restrições ao envio de equipamentos da ASML e as sanções contra fabricantes de chips destinavam-se a travar o desenvolvimento da IA chinesa.

No entanto, esta estratégia não produziu os resultados esperados.

Após o surgimento da DeepSeek, o mercado verificou que era possível desenvolver modelos linguísticos competitivos a um custo significativamente inferior ao dos seus equivalentes norte-americanos. Na prática, os Estados Unidos estão a tentar criar uma nova categoria de controlos de exportação que se aplicaria não às tecnologias físicas, mas sim aos resultados produzidos pelos maiores laboratórios de inteligência artificial do mundo.

As possíveis medidas incluem:

  • proibição de cooperação entre empresas norte-americanas e desenvolvedores chineses de IA;
  • restrições ao acesso a plataformas de cloud dos Estados Unidos;
  • proibição do licenciamento de software;
  • restrições aos investidores norte-americanos;
  • expansão dos controlos de exportação às tecnologias de software.

Este cenário marcaria o início de uma nova etapa na fragmentação tecnológica da economia global. Estão a formar-se dois ecossistemas independentes.

  • O ecossistema norte-americano está a ser desenvolvido em torno da OpenAI, Anthropic, Google, Microsoft, Nvidia e das plataformas ocidentais de cloud.
  • O ecossistema chinês está a formar-se em torno da Alibaba, Tencent, Baidu, Huawei, Moonshot AI e de outros desenvolvedores nacionais.

Cada novo pacote de restrições acelera este processo. Se as sanções limitarem o desenvolvimento das empresas chinesas, o mercado potencial para equipamentos também poderá diminuir. Isto conduzirá a custos mais elevados a longo prazo, menor eficiência na concorrência global e a um prémio de risco geopolítico mais elevado em todo o setor tecnológico.

O que significa isto na prática?

Para os traders, significa o surgimento de um novo fator estrutural de mercado.

No curto prazo, é provável que isto aumente a volatilidade em todo o setor tecnológico. Os ativos mais sensíveis continuam a ser as ações de empresas ligadas à IA, aos semicondutores, à infraestrutura de cloud e aos centros de dados.

Deve ser dada especial atenção ao desempenho do Nasdaq 100, da Nvidia, AMD, Broadcom, Microsoft, Alphabet e das maiores empresas tecnológicas chinesas.

As perspetivas de médio prazo são consideravelmente mais interessantes.

Se as sanções continuarem a expandir-se, os investidores serão obrigados a incorporar um novo fator de risco permanente na avaliação das ações tecnológicas. Nesse caso, o principal fator de valorização deixará de ser apenas a velocidade de desenvolvimento da IA e passará também a incluir a capacidade de cada ecossistema funcionar de forma autónoma, sem acesso às tecnologias do ecossistema rival.

Por isso, atuamos com prudência e evitamos riscos desnecessários.

Lucros para todos!